Triturador e destocador
Desligado, um triturador de tambor ainda gira cerca de 45 segundos. Quem salva é a barra de parada, e a distância até os rolos.
Estamos narrando o Manual do Arborista inteiro na voz do Daniel, da 3X3, e liberando por fases. Esta faixa ainda está sendo gravada.
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Técnicas de corte. Faixa 11 de 11: Triturador e destocador.
Nova Jersey, verão de 2012. Um escalador trabalha a 18 metros de altura num freixo de cerca de 24 metros. No chão, o triturador está ligado. Ele avisa que vai soltar mais um: o último galho, com 11 centímetros de diâmetro, em queda livre. O ajudante, de 27 anos, confirma. A zona de queda não está marcada no chão, e os sinais misturam gesto e voz. Pouco depois, o ajudante anda de volta para a zona de queda, talvez para pegar o serrote, talvez para ir à pilha de galhos. O galho sai.
Dezessete quilos, soltos de 18 metros. Foi o peso do galho que atingiu o ajudante, e ele morreu. O relatório do FACE de Nova Jersey, o programa de investigação de mortes no trabalho, aponta três fatores: zona de queda sem demarcação, triturador ligado abafando a comunicação, e sinais confusos. As lições também são três. Marque a zona de queda com tinta ou fita, num formato que todos vejam. Desligue o triturador durante cortes perigosos. E faça a pilha de galhos fora da zona de queda, para que ninguém precise entrar nela para trabalhar.
Nesse caso, o triturador foi o ruído que encobriu o aviso. Mas ele também mata por conta própria. Em Guilderland, Nova York, em maio de 2016, um rapaz de 23 anos, no primeiro dia de trabalho e sem experiência, foi puxado pela máquina. Horas antes, uma câmera o filmou pondo a mão dentro dela com os rolos ligados. A máquina não tinha defeito. Quantas mortes como essa existem?
Pela OSHA, a agência americana de segurança do trabalho, 39 trabalhadores morreram em acidentes com triturador nos Estados Unidos entre 1996 e 2005, e cerca de 78 por cento foram puxados pela máquina. As contagens divergem com o recorte. O NIOSH, o instituto americano de pesquisa em segurança do trabalho, contou 11 mortes de 1992 a 1997, 7 delas puxadas até as facas e 4 por tampas que se soltaram. A regulação da Califórnia cita 31 mortes entre 1992 e 2002, e outro levantamento, 73 até 2009. E saiba isto: um triturador de tambor leva cerca de 45 segundos para parar depois de desligado. Desligar não salva quem já foi puxado.
Na Califórnia, em 2010, um ajudante de 33 anos arrastou um galho por 12 metros até o triturador. O galho tinha enroscado na corda do escalador. Quando a máquina puxou o galho, a corda esticou e o jogou contra a mesa de alimentação, e ele morreu. Se desligar não basta e o perigo pode vir enroscado no galho, o que a máquina precisa ter, e como se alimenta?
A máquina precisa de barra de parada e reversão na alimentação, ao alcance fácil, no topo e dos lados da calha, como pede a norma americana ANSI Z133. O HSE, o órgão britânico de segurança do trabalho, dá as medidas: com a boca a menos de 600 milímetros do chão, pelo menos 1.200 milímetros da borda da calha até os rolos; entre 600 e 1.000 milímetros de altura, 1.500. A barra deve parar os rolos com no máximo 150 a 200 newtons, cerca de 15 a 20 quilos de força, empurrada com cotovelo, quadril ou tronco, e religar só por outro comando. Teste a parada antes de cada uso, e nunca abra a tampa com o rotor girando.
Para alimentar: pela lateral, nunca alinhado com a calha. Galho pela base, solte quando os rolos pegarem, afaste-se e vire de lado. Confira cada galho antes, procurando corda, arame e pedra. Material curto se empurra com um galho longo, nunca com mão ou pé; folhas e gravetos vão para saco ou caçamba. Roupa justa, sem cordões, anel ou relógio. Nas luvas, as fontes divergem: o HSE pede punho longo e justo dentro da manga, o NIOSH pede luva sem punho. Pelo menos duas pessoas, uma vendo a outra. Para menores de 18 anos, o NIOSH recomenda proibir. No Brasil, requisito específico da NR 12 para triturador não foi confirmado nesta pesquisa.
Depois do triturador de galhos vem o destocador, o triturador de toco. Ele projeta cavacos e pedras. A TCI, revista da associação americana de empresas de árvore, manda manter curiosos a pelo menos 23 metros enquanto o disco gira. O HSE manda sinalizar todos os acessos e parar o trabalho se a área for invadida; na rua, cavaco longe de pedestres e trânsito, e sempre com tela de proteção. E o que tem embaixo do toco?
Embaixo podem estar redes enterradas. Verifique o local antes, tire pedras e metal do toco e cave à mão para expor as raízes. A ANSI Z133 manda considerar energizados todos os condutores, aéreos e subterrâneos. Se a consulta à concessionária é obrigatória no Brasil, não foi confirmado nesta pesquisa. Use viseira ou óculos, protetor auricular e botina, e mantenha inteiras as cortinas em volta do disco. Com ruído ou vibração estranha, desligue, tire os cabos de vela, espere 5 minutos e inspecione. E nunca se aproxime do disco antes da parada completa.
Aqui fecha a parte de técnicas de corte. Antes da obra, monte no ARBOO a análise de risco, a APR, e os documentos do serviço: zona de queda, rotas de fuga, comando e resposta, onde fica o triturador e onde fica a pilha. Abra no ARBOO a ficha da espécie para conhecer a madeira que você vai cortar, porque é a espécie que muda o peso da peça. E guarde a medida deste áudio: ele prepara a cabeça. Motosserra, derrubada, desmonte e triturador se aprendem com instrutor e treino prático.
Para levar: Um. Zona de queda marcada no chão, pilha de galhos fora dela, e triturador desligado nos cortes perigosos. Dois. No triturador, alimente pela lateral, galho pela base, solte quando pegar, e teste a barra de parada antes de cada uso, porque desligar não para a máquina na hora. Três. No destocador, curiosos a pelo menos 23 metros, redes enterradas verificadas antes, e ninguém perto do disco até a parada completa.