Antes de derrubar
Um galho de até 45 quilos, preso na copa, matou um arborista certificado. A avaliação, a zona de queda e a rota de fuga.
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Técnicas de corte. Faixa 5 de 11: Antes de derrubar.
Estado de Washington, Estados Unidos, janeiro de 2023. Um arborista certificado, de 51 anos, vai derrubar um bordo danificado por tempestade. Dois abetos arrancados estão apoiados nele. A equipe de apoio está por perto, a menos de duas alturas da árvore. Ele começa o corte de abate. O tronco racha, e lá no alto se solta um galho que ninguém tinha visto, preso na copa: 4,3 metros de comprimento, uns 10 centímetros de espessura. O galho desce reto, em direção à base.
Aquele galho pesava de 32 a 45 quilos, e ninguém tinha notado que ele estava lá. Ele caiu na testa do arborista e o matou. O perigo estava lá antes do primeiro corte. O Forest Service, o serviço florestal americano, resume numa frase: a maioria dos acidentes é causada por material que cai, não pela árvore em si. E a OSHA, a agência de segurança do trabalho dos Estados Unidos, registra que mais gente morre derrubando árvore do que em qualquer outra atividade da exploração florestal.
Nos Estados Unidos, segundo o programa de investigação de mortes de Massachusetts, uma média de 140 trabalhadores por ano morreu atingida por árvores, toras ou galhos. Então a derrubada começa muito antes da motosserra. Mas o que se olha primeiro, e em que ordem, para não esquecer nada quando a obra aperta e tem gente olhando da calçada?
Primeiro, a inclinação. Use um prumo, uma porca amarrada num barbante: mire o topo, veja onde o prumo cai no chão e meça até o centro do tronco. Se não ficar claro, afaste-se e confira de novo. Pelo Forest Service, uma árvore com até 5 graus de inclinação pode, em geral, cair em quase qualquer direção, com boca e cunhas adequadas. Escolha a direção dentro de 45 graus da inclinação combinada, a frontal somada à lateral, desde que haja madeira de dobradiça sã. E a OSHA lembra: em geral, é mais fácil e seguro derrubar para onde a árvore já pende.
A inclinação é só o primeiro item. Árvore urbana raramente é simétrica. Tem copa carregada de um lado, galho seco que ninguém tirou, oco no pé, fiação passando ao lado, rua, muro, telhado. E o perigo pode nem estar na árvore que vai cair, mas na vizinha. Então o que mais entra na avaliação, antes de ligar a máquina?
O formato e o peso da copa, porque mudam a direção natural de queda. Os galhos mortos, quebrados ou soltos, na árvore e nas vizinhas: a OSHA manda derrubá-los ou puxá-los com máquina, e não trabalhar embaixo deles. Podridão, ocos e rachaduras. Os alvos: rede elétrica, ruas e edificações são os obstáculos que mais pesam. Evite fazer a árvore cair sobre toco, pedra ou terreno irregular, que racham o tronco e o fazem pular. Em declive, derrube para onde ela menos rola. E, em árvore danificada, a lição de Washington: avalie a copa antes, com binóculo, cesto aéreo ou drone, e ponha um observador.
Agora, a zona de queda. A OSHA e o padrão britânico e irlandês de derrubada, o AFAG ou IFSG 302, dizem o mesmo: ninguém além do operador fica a menos de duas alturas da árvore. As fontes variam no detalhe. No Canadá, a WorkSafeNB pede pelo menos 40 metros ou duas alturas, o que for maior. A Husqvarna aceita uma altura para quem derruba sozinho. O programa de Massachusetts admite 1,5 altura na derrubada assistida por corda. E árvore morta em pé por perto pede as mesmas duas alturas de distância.
E na cidade, onde quase nunca existem duas alturas livres? No Reino Unido, um arborista treinado derrubou uma tília de só 7 metros numa calçada, perto de um cruzamento, isolando a área apenas com placas e cones. A árvore atingiu uma pedestre, que fraturou o crânio. A empresa foi multada em 3.500 libras, mais 2.723 de custas.
O HSE, o órgão britânico de saúde e segurança no trabalho, concluiu que aquela árvore deveria ter sido desmontada em seções, com barreiras e uma avaliação de risco registrada no local. Fica o critério: se não há duas alturas livres, ou 1,5 com corda, sem pessoas, imóveis, vias ou rede elétrica, a árvore não vai ao chão inteira. Ela é desmontada, ou o alvo é removido ou isolado. O desmonte tem faixa própria, mais adiante nesta parte.
Por fim, a saída. Antes de cortar, planeje e limpe a rota de fuga, na diagonal, a 45 graus para trás, dos dois lados. Nunca reto para trás: o pé do tronco pode coicear. Afaste-se rápido até 6 metros, de preferência atrás de outra árvore. O IFSG fixa um mínimo absoluto de 3 metros. Tenha uma rota e uma alternativa, e dois operadores não dividem a mesma. Pare com vento acima de 24 quilômetros por hora, pelo Forest Service. Avise antes de começar o corte de abate, antes de terminá-lo e quando a árvore for cair, e espere a resposta. E derrubada se aprende com instrutor, prática e a capacitação da NR 12.
Para levar: Um, olhe para cima antes do primeiro corte, na árvore e nas vizinhas. Galho solto se tira antes, ou não se trabalha embaixo. Dois, duas alturas livres; se não cabem, a árvore vai em seções. Três, rota de fuga a 45 graus, limpa e testada a pé, e aviso com resposta antes de cortar.