Ferramentas de poda e de haste
A motopoda não é isolada: o fabricante pede 15 metros de qualquer rede energizada. Regras do podão, do serrote e da afiação da corrente.
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Técnicas de corte. Faixa 4 de 11: Ferramentas de poda e de haste.
Imagine uma rua arborizada e um arborista no chão, com a motopoda estendida até um galho alto. Logo acima da copa passa a rede elétrica. Do chão, a haste parece longe dos fios. Ela é comprida, tem cabo emborrachado e a máquina é leve. Ele está fora da árvore, com os pés no chão, e se sente protegido. O galho é grosso, e para alcançar o corte ele estende a haste um pouco mais na direção da rede.
Quinze metros. É a distância mínima de qualquer linha energizada que o manual da motopoda STIHL HT 101 manda você manter. A motopoda não é isolada. Pela norma americana ANSI Z133, no item 4.2.8, toda ferramenta sem isolamento certificado para a tensão a que está exposta é considerada condutora. E pelo item 4.1.4, madeira, galhos e folhas também conduzem. Cabo emborrachado não é isolamento certificado.
Mas aqui no Brasil se ouve falar em 3 metros de distância da rede, não em 15. Foi o número que a concessionária Equatorial divulgou num alerta sobre poda em 2026. E a norma americana ainda fala em 3,05 metros para quem não é qualificado. Afinal, qual distância vale para quem está na rua, com a ferramenta na mão?
As fontes divergem, e cada uma fala de uma coisa. Os 15 metros são do fabricante, para a máquina. Os 3 metros da Equatorial são orientação ao público. E os 3,05 metros da Z133 valem para quem não é qualificado em rede. Vale a maior distância aplicável, e com motopoda vale a do manual. Galho encostado no fio é serviço da concessionária, só com ferramenta isolante e arborista de linha viva. A faixa de poda junto a redes elétricas aprofunda esse ponto.
E a motopoda dá rebote como a motosserra? Ela fica longe do corpo, na ponta de uma haste. Muita gente acha que, por isso, os cuidados são menores, e que o EPI pode ser mais leve. A concessionária CEMIG, por exemplo, dispensa a motopoda da licença de porte e uso que exige da motosserra a combustão.
Tem as mesmas três forças: rebote na ponta superior, puxão embaixo e empurrão em cima. O manual STIHL diz que costumam ser menos severas, mas pede pegada e apoio firmes, um galho por vez e corte iniciado em aceleração plena. Não corte na vertical acima da cabeça. A NR 12 vale para a motopoda no que couber, e a CEMIG exige no mínimo capacete, óculos e luvas de vaqueta, mais o que a análise de risco pedir. Também ela se aprende com instrutor, prática e a capacitação da NR 12.
E as ferramentas sem motor, o serrote, a tesoura, o podão? Onde fazer o corte, o colar, a regra de Shigo e os três cortes para ramo pesado você já ouviu na faixa Técnica do corte, na parte de poda. O que falta saber sobre a ferramenta em si, no trabalho com árvores?
A norma da Califórnia, a Cal OSHA, dá as regras. Não suba com ferramenta na mão. Nunca jogue ferramenta para dentro da árvore, para fora dela ou entre colegas no alto. Machado e facão se usam com o golpe afastado do corpo, e não servem de cunha. No podão e na serra de haste, varas e cordões não condutores. Pendure a ferramenta firme na vertical, nunca em fio da rede, com o fio de corte virado para longe de você, e não a deixe na árvore de um dia para o outro.
Falta a corrente, que é a ferramenta que mais trabalha numa obra. Corrente cega vibra mais, e a OSHA, a agência americana de segurança do trabalho, manda afiá-la no próprio turno. Mas afiar errado também tem preço. O manual STIHL MS 191 T traz os ângulos, e ele e o manual Oregon trazem a altura do limitador de profundidade. Quais são, e onde está o erro que mais aumenta o risco?
Na corrente STIHL Picco Micro, o ângulo de afiação é de 30 graus e o da placa lateral, de 85 graus, com porta-lima marcado. Lime de dentro para fora, num sentido só. O limitador de profundidade fica a 0,65 milímetro na corrente PM e a 0,45 na PMN. Nunca o rebaixe além disso, porque aumenta o rebote. Com a corrente fria, ela encosta embaixo do sabre e ainda corre na mão. Depois de aquecer, ela alonga e precisa ser retensionada. Corrente frouxa pode saltar, e aí quem segura é o pega-corrente.
Para levar: Um. Motopoda não é isolada: mantenha a distância do manual, e galho encostado no fio é da concessionária. Dois. Ferramenta não se joga, não se pendura em fio e não dorme na árvore. Três. Afie no ângulo do fabricante e nunca rebaixe o limitador além do especificado.