Que abelha é essa? A chave das quatro dicas
Um tubinho de cera amarelada no tronco é a porta da jataí. Tamanho, corpo, comportamento e entrada: quatro dicas para reconhecer a abelha sem tocar no ninho.
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Abelhas e vespas. Faixa 2 de 2: Que abelha é essa? A chave das quatro dicas.
Um tubinho de cera amarelada saindo de uma fresta do tronco é a porta de uma colônia de jataí. Na maioria das vezes, dá para ter uma boa ideia de que abelha está ali sem chegar perto do ninho. Basta olhar quatro coisas: o tamanho da abelha, o formato do corpo, o comportamento e, principalmente, a entrada. É a mesma chave que meliponicultores usam no campo, e é ela que você vai levar desta faixa.
As quatro dicas são as da cartilha do Meliponário Tapajós, ilustrada por Gustavo Lassala em 2020: tamanho, anatomia, comportamento e entrada do ninho. Elas não substituem um especialista, mas bastam para o arborista decidir o essencial. É abelha nativa, que pede resgate? É uma espécie que defende o ninho mordendo e grudando no cabelo? Ou é coisa de chamar os bombeiros?
Antes das quatro dicas, separe a africanizada, a abelha do mel. Ela tem ferrão que funciona. As nativas sem ferrão têm o ferrão atrofiado, que não serve para defesa. A entrada das nativas costuma ser construída com cerume, barro ou geoprópolis, em forma de tubo, funil ou raios, e cada espécie tem a sua. Movimento intenso, muitas abelhas, nenhuma estrutura na porta e, quando dá para ver, favos de cera clara na vertical: é abelha do mel. Vale a conduta da faixa anterior: pare o motor, isole a área e chame o 193.
Primeira dica, o tamanho. As grandes, com mais de 7 milímetros e chegando a 10 ou 11, são as do gênero Melipona, como a mandaçaia e a uruçu-amarela. Entre as médias está a mirim-guaçu, de 6 a 7 milímetros. As pequenas ficam entre 3 e 5 milímetros: a jataí, com cerca de 4 ou 5, a iraí, com cerca de 4, e a mirim-droryana, com cerca de 3. Em resumo, abelha grande e peluda na porta de um oco quase sempre é uma Melipona.
Segunda dica, a anatomia. Corpo robusto, largo e compacto é típico das Melipona, como a mandaçaia, a uruçu e a guaraipo. Corpo delgado e alongado aparece em espécies como a borá, que tem as asas mais compridas que o próprio corpo. A cor ajuda a confirmar: a mandaçaia é escura, com quatro listras amarelas no abdômen; a uruçu-amarela é amarela até nos pelos das pernas; a jataí é dourada, de olhos grandes e verdes; a iraí é muito escura, com antenas alaranjadas.
Terceira dica, o comportamento. Algumas são mansas: a iraí, descrita como totalmente mansa, as mirins e a guaraipo, muito mansa. Outras defendem bem o ninho. A tubuna solta uma resina grudenta, principalmente no cabelo, e morde. A borá morde a pele e enrola no cabelo, ainda mais nas horas quentes. A irapuá é a pior para quem sobe: ataca em grupo e entra no cabelo, nos ouvidos e no nariz. Os apelidos dizem tudo: enrola-cabelo e torce-cabelo. Nenhuma delas ferroa, mas incomodam muito quem está no alto, com as mãos ocupadas.
Quarta dica, a entrada do ninho, a mais útil para quem está no chão olhando o tronco. São dois desenhos principais: o canudo e o raiado. Canudo é um tubo saindo da madeira. Na jataí, um ou dois tubos de cerume claro e amarelado, fechados à noite e abertos ao amanhecer, com guardas pairando no ar na frente. Na iraí, um tubo de cerume pardo ou escuro. Na tubuna, um funil ou trombeta de cerume escuro, que não fecha à noite.
Raiado é a entrada das Melipona: um furo pequeno, por onde passa uma abelha de cada vez, cercado de raios de barro que convergem para o centro, como um sol. É assim na mandaçaia e na uruçu-amarela, que usa geoprópolis denso, muitas vezes avermelhado. A guaraipo também faz entrada de barro, e o ninho dela costuma ficar perto da base do tronco, junto ao chão. Viu um sol de barro num oco? Provavelmente é uma Melipona.
Há entradas que fogem dos dois desenhos. A borá não faz tubo: a abertura é pequena, cercada de camadas finas de própolis endurecida. A mirim-droryana faz uma entrada minúscula, de menos de 1 centímetro, quase transparente, muitas vezes com duas aberturas. E a irapuá nem usa oco: o ninho dela é uma bola escura e dura, de barro, resina e fibras, de 30 a 60 centímetros, presa numa forquilha entre 2 e 9 metros de altura, justamente no caminho de quem sobe. Ninho de papel, cinza ou castanho, não é de abelha: é de vespa.
E o que fazer com a identificação? Qualquer que seja a nativa, a regra da faixa anterior continua: não destrua o ninho e chame o resgate autorizado. Algumas são raras. A mandaçaia é rara na natureza e aparece como ameaçada nas listas do Paraná e do Rio Grande do Sul. A lista nacional, a Portaria 1.704 do Ministério do Meio Ambiente, de 2026, também traz abelhas sem ferrão, como a Melipona capixaba. Se a espécie for das defensivas, como tubuna, borá ou irapuá, trabalhe com o cabelo preso e coberto, viseira abaixada e sem mexer no ninho.
Para levar: Um. Separe primeiro a africanizada: ferrão, muito movimento, porta sem estrutura e favos na vertical. Dois. Olhe a entrada: canudo de cera clara é jataí, funil escuro é tubuna, sol de barro é Melipona, bola escura e dura na forquilha é irapuá. Três. Abelha grande, robusta e peluda num oco quase sempre é Melipona. Quatro. Tubuna, borá e irapuá mordem e grudam no cabelo: cabelo coberto e distância do ninho. Cinco. Nativa identificada, ninho preservado e resgate autorizado.