A máquina na sua mão
8 horas de curso, 5 dispositivos e 1 manual: o mínimo da NR 12 antes de ligar uma motosserra, e como dar partida e abastecer sem risco.
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Parte cinco: técnicas de corte, da poda à supressão. O freio da sua motosserra dispara em milissegundos, mais rápido do que o seu braço consegue reagir a um rebote. Nesta parte, a máquina, o rebote, a roupa anticorte, as ferramentas de poda e de haste, a derrubada direcionada, o desmonte em seções, a madeira no chão e o triturador. Em cada faixa, primeiro o caso real; depois, o que aconteceu e como não repetir.
Técnicas de corte. Faixa 1 de 11: A máquina na sua mão.
Imagine o começo de um dia de obra. A motosserra sai do caminhão, e o operador completa o tanque ali mesmo, ao lado do galão. Com pressa, segura a serra por um punho, solta a máquina no ar e puxa a corda com a outra mão. O freio de corrente está solto. O protetor auricular ficou pendurado no capacete. Ninguém conferiu se a máquina tem todos os dispositivos que a lei exige, e ninguém ali passou pela capacitação. O motor pega, e a corrente já sai girando, perto da perna dele.
Oito horas, cinco dispositivos e um manual. É isso que a lei brasileira exige antes de você ligar uma motosserra em serviço. A NR 12, no Anexo cinco, manda o empregador capacitar todo operador com carga mínima de 8 horas, com conteúdo baseado no manual do fabricante. A máquina precisa ter os 5 dispositivos obrigatórios. E o manual de instruções é obrigatório. Se faltar um dos três, a serra não está em conformidade.
Para quem olha de fora, a motosserra é motor, sabre e corrente, e pronto. Mas a norma fala em dispositivos que muita gente nunca reparou que existem. Quais são esses cinco, e para que serve cada um? E por que o freio aparece sempre em primeiro lugar quando se fala de segurança?
Primeiro, o freio de corrente, manual ou automático. É um freio de cinta com mola. Dispara pela sua mão, quando o protetor da mão esquerda é empurrado, ou por inércia, quando o sabre é jogado para cima de repente. A concessionária CEMIG o chama de principal dispositivo contra o rebote. Segundo, o pino pega-corrente, embaixo do sabre, que segura a corrente que salta ou quebra antes que ela chicoteie contra a sua mão direita.
Terceiro e quarto, os protetores da mão direita e da mão esquerda. Quinto, a trava do acelerador: a serra só acelera com a sua mão fechada no punho traseiro, e um galho ou esbarrão não a dispara. Some a isso o sabre, que é o trilho da corrente. Ponteira de raio maior aumenta o risco de rebote, porque uma porção maior da ponta morde a madeira. E todo dia, teste o freio: em marcha lenta, acione o freio e acelere por no máximo 3 segundos. A corrente não pode girar.
E a motopoda, a serra na ponta da haste? Ela deve atender aos cinco dispositivos no que couber, diz o texto do anexo. O fabricante e o importador devem oferecer treinamento e material didático pelos revendedores, mas quem capacita o operador é o empregador. E o certificado de garantia tem um campo que o comprador assina, confirmando que recebeu a oferta de treino ou assumindo a responsabilidade de treinar. Este manual não substitui nada disso: motosserra se aprende com instrutor, prática e a capacitação da NR 12.
Agora, a partida. Volte à cena do começo: o operador soltou a serra no ar com uma mão e puxou a corda com a outra, a chamada partida no tranco. Em muita obra ainda se vê isso, e parece rápido e prático. Por que é proibido, e qual é o jeito certo de dar partida, no chão e lá em cima, na copa?
No tranco, a corrente pode sair girando sem que a serra esteja apoiada. A OSHA, a agência americana de segurança do trabalho, e o manual STIHL proíbem. A partida é no chão ou com a serra firmemente apoiada, com o freio de corrente acionado e a pelo menos 3 metros do ponto onde você abasteceu. A CEMIG acrescenta: corrente sem tocar em nada e ninguém por perto. Na copa, o HSE, o órgão britânico de saúde e segurança no trabalho, manda conferir se a corrente não encosta em corda, roupa ou galho antes de religar. E para andar, acione o freio ou desligue.
No abastecimento, a CEMIG pede motor desligado e frio, nada de fumar, tampa aberta devagar, local ventilado e no máximo 20 litros em recipiente adequado. Aqui as fontes divergem: a CEMIG diz para não usar gasolina guardada há mais de 7 dias, e a STIHL diz para não armazenar a mistura por mais de 3 meses. Siga o manual do fabricante e a regra mais restritiva. E motosserra a combustão em local fechado ou mal ventilado é proibida pela NR 12.
Por fim, o que não se vê. Uma motosserra a gasolina passa comumente de 100 decibéis no seu ouvido. Pela NR 15, a 100 decibéis o limite diário é de 1 hora, e acima de 115 ninguém pode ficar sem proteção. Na vibração, o limite da NR 15 é de 5 metros por segundo ao quadrado. Um estudo alemão achou uma serra que declarava 3,5 e mediu mais de 5,5, sempre mais alto no punho da mão esquerda. Corrente afiada, antivibração em ordem e pausas ajudam.
Para levar: Um. Sem as 8 horas de capacitação, os 5 dispositivos funcionando e o manual da máquina, a serra não sai do caminhão. Dois. Partida no chão ou apoiada, freio acionado, a 3 metros de onde você abasteceu, nunca no tranco. Três. Protetor auricular é parte da máquina: a 100 decibéis, uma hora sem proteção já é o limite do dia.