O rebote
O freio dispara em 20 a 50 milissegundos; o seu reflexo, em 100 a 200. Por que o rebote chega antes de você e o que de fato o reduz.
Estamos narrando o Manual do Arborista inteiro na voz do Daniel, da 3X3, e liberando por fases. Esta faixa ainda está sendo gravada.
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Técnicas de corte. Faixa 2 de 11: O rebote.
Spokane, estado de Washington, Estados Unidos, 2 de abril de 2021. Um podador trabalha na copa, a cerca de 30 metros de altura, com a motosserra. A serra dá rebote, e ele é atingido. Ferido, alterna momentos de consciência e de desmaio, e não consegue descer sozinho. Ele está a 30 metros do chão. Daqui para a frente, a vida dele depende de quem está lá embaixo e do que essa equipe tem à mão.
O freio da sua serra dispara entre 20 e 50 milissegundos depois que a ponta toca. A corrente para entre 90 e 140 milissegundos. E o seu braço? A sua reação voluntária mais rápida foi estimada entre 100 e 200 milissegundos. Esses números são de um ensaio de laboratório para o governo americano, feito pelo antigo NBS, hoje NIST, em 1984, com duas serras. O próprio relatório avisa que o tempo humano não foi estudado de forma sistemática. Mas a lição é clara: quem salva é o freio, não o reflexo.
O podador de Spokane só desceu porque outro escalador subiu até ele e um caminhão com escada chegou para o resgate. Então o rebote é rápido demais para qualquer pessoa. Mas de onde ele vem? Toda motosserra dá rebote, em qualquer corte? Ou existe um ponto do sabre que é o culpado, um lugar exato que o operador precisa vigiar o tempo inteiro?
Existe. É a zona de rebote, o quadrante superior da ponta do sabre: os 90 graus entre a linha de centro do sabre e a vertical que sobe do centro do pinhão da ponteira. Quando a corrente em movimento nesse quarto toca algo sólido ou prende, o sabre é lançado para cima e para trás, em arco, contra o seu rosto e o seu pescoço. No ensaio de 1984, a serra já tinha girado de 5 a 14 graus quando o freio disparou, e de 20 a 24 graus quando a corrente parou.
E as outras partes do sabre? Quem aprende no chão ouve falar em cortar puxando e cortar empurrando, com a corrente de baixo ou com a de cima. Qual dos dois é mais seguro? E o que acontece quando a corrente fica presa no meio do corte? O manual STIHL fala em três forças de reação, e só uma delas se chama rebote.
Com a parte de baixo do sabre, você corta puxando: a reação puxa a serra para a frente, contra a madeira. É o corte mais controlável, porque a garra firme no tronco absorve o puxão. Com a parte de cima, você corta empurrando: a reação empurra a serra para trás, direto contra você, e se a ponta entrar no quadrante superior vira rebote. Comece todo corte em aceleração plena. E evite que a corrente prenda, com cunha, alavanca, posição certa da serra ou corte por baixo.
A norma de máquina é a EN ISO 11681-1, de 2011. Ela exige que a corrente pare em 0,12 segundo ou menos e que o ângulo de rebote calculado seja de no máximo 45 graus. No laboratório, esse ângulo variou de 15 a 52 graus conforme a madeira, e aumentou com a umidade de 20 para 60 por cento. A velocidade do giro passou de 600 graus por segundo na serra a bateria e de 1.000 graus por segundo na serra a gasolina. Um guia de estudo para a certificação da ISA fala em rebote de 0,10 a 0,15 segundo, mas é fonte secundária.
Os fabricantes informaram, no ensaio de 1984, que o freio automático dispara com cerca de 50 vezes a aceleração da gravidade. Dá para comprar uma serra que simplesmente não dê rebote? Hoje se fala muito em corrente de baixo rebote, em protetor de ponteira. Isso resolve o problema, ou só diminui? E o que depende da máquina, e o que depende da mão de quem está operando?
Só diminui. O que reduz: corrente de baixo rebote, com elos-para-choque ou elos de tração em rampa; limitador de profundidade na altura certa, porque rebaixado demais aumenta o rebote; corrente afiada e tensionada; e sabre e corrente do fabricante. Koehler e colegas recomendam o protetor de ponteira. Mas o manual STIHL é direto: freio e baixo rebote reduzem o risco de lesão, não impedem o rebote. O resto é técnica, aprendida com instrutor, prática e a capacitação da NR 12.
E a técnica protege a zona mais letal. Koehler conta mais de 28 mil lesões por ano nos Estados Unidos, cerca de 10 por cento em cabeça e pescoço. Por isso: saiba sempre onde está a ponta, não deixe a ponta encostar em galho fino, arame ou cerca, corte um galho de cada vez, nunca opere acima do ombro e nunca corte diretamente acima da cabeça. E lembre que a peça também reage: no Alabama, em 1994, o coice de um toco jogou a serra ligada contra a garganta do operador, que morreu no hospital.
Para levar: Um. O freio é a sua defesa contra o rebote, então teste-o todo dia e nunca opere com ele falhando. Dois. A ponta superior do sabre não toca em nada: um galho por vez, nada acima do ombro, nada acima da cabeça. Três. Na copa, rebote vira resgate em altura, e por isso alguém no chão precisa estar pronto para subir.