Desmonte em seções
Serra presa no destopo, topo que volta, guindaste que tomba: quando e como desmontar em seções, e por que a peça que você corta é sua.
Estamos narrando o Manual do Arborista inteiro na voz do Daniel, da 3X3, e liberando por fases. Esta faixa ainda está sendo gravada.
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Técnicas de corte. Faixa 9 de 11: Desmonte em seções.
Michigan, Estados Unidos. O dono de uma empresa de árvores, de 24 anos, está a 9 metros de altura num álamo de 17 metros, preso pela cadeirinha. Ele vai destopar o fuste, que tem 48 centímetros de diâmetro. A corda que segura a peça desce até o chão e está presa a uma caminhonete. Ele faz o corte de abate, e a serra prende, uns 30 centímetros dentro da madeira. Ele pede folga na corda. A caminhonete dá ré, e a seção de cima, com 7,6 metros, começa a voltar na direção dele.
Se a sua serra prende 30 centímetros dentro do corte de abate, a árvore está avisando: a tensão está no lugar errado. Em Michigan, a seção de 7,6 metros passou pelo escalador. Ele ficou preso entre a peça e a corda, e a corda o arrancou do ponto de fixação. Os bombeiros não conseguiram alcançá-lo, foi preciso chamar um caminhão-cesto, e ele morreu. O relatório MIFACE, o programa de investigação de mortes no trabalho de Michigan, deixa três lições: serra presa é sinal de tensão errada; não se mexe em corda tensionada com o escalador na linha da peça; e corda de tração presa a veículo exige comunicação e controle total.
Mas por que subir e cortar em pedaços, se derrubar inteira é mais rápido? Porque muitas vezes a árvore não cabe no chão. Lembra da tília de só 7 metros, na faixa Antes de derrubar, que atingiu uma pedestre na calçada? O órgão britânico concluiu que ela deveria ter sido desmontada em seções. Então, o que é exatamente o desmonte, em que ordem ele acontece e quem decide como fazer?
Desmonte em seções é tirar a árvore de cima para baixo, em partes, quando o abate inteiro não cabe. Quem escolhe o método de rigging é um trabalhador qualificado, pela espécie, pelo tamanho, pelo peso e pelo comprimento das peças: é o que exige a regra da Califórnia. A sequência típica tem cinco etapas. Um, avaliação e plano, procurando galhos soltos, pendurados, topos quebrados e árvores escoradas. Dois, os galhos laterais, cortados ou descidos por corda, com o escalador acima ou ao lado do galho que desce. Três, o topo. Quatro, o fuste em toras, de cima para baixo. Cinco, o tronco que sobra, derrubado do chão se houver espaço.
E cada tora do fuste, cai solta ou desce na corda? Os dois jeitos existem. No entalhe e queda, a peça leva entalhe direcional e corte de abate e cai livre na zona de queda. Toras soltas em pedaços protegem gramado, pátio e calçada sem amarrar uma por uma. No outro jeito, a peça desce presa por corda, com o bloco amarrado logo abaixo dela. E o bloco deve ficar apertado ao tronco, para que a queda livre seja a menor possível.
A queda livre tem condição. Se a zona de queda não está livre, demarcada e confirmada por voz, na prática ela está proibida. A regra da Califórnia exige zona definida antes do trabalho e comando e resposta: de cima, o aviso para se afastar; de baixo, a confirmação de que está tudo livre. No destopo, o guia de escalada do Serviço Florestal americano manda entalhar o fuste para o topo cair longe do escalador. Topos pequenos podem descer por corda amarrada logo abaixo da posição dele. Freio e comando você já ouviu na faixa de técnica de rigging, na parte de escalada; a física do choque está na faixa anterior a ela.
Volte ao caso de Michigan. O topo foi embora, mas quem estava em risco era o que ficou: o fuste, o ponto de ancoragem e o escalador preso nele. O que acontece com o tronco no instante em que o topo se solta? E onde o escalador deve estar ancorado, se a parte de cima da árvore vai sair dali?
O fuste descarrega o peso e oscila, num chicote. Há registro de escalador arrancado dos esporões ao tirar um topo; a amplitude dessa oscilação não tem número confirmado. Em espécie propensa a rachar na vertical, o Serviço Florestal pede cinta ou corrente em volta do fuste, logo acima e logo abaixo do corte. A sua ancoragem fica abaixo do corte, mas fora do caminho da corda de rigging: num relato de escalador, fonte secundária, a corda de rigging tocou o talabarte e derreteu cerca de três quartos dele. E nunca se prenda à peça que vai cortar. Em 1996, em Nova Jersey, um escalador passou o talabarte no próprio galho que cortava e caiu junto com ele.
Quando nem a corda dá conta, entra o guindaste. Em Haddonfield, Nova Jersey, em fevereiro de 2012, um caminhão-guindaste tombou ao içar uma seção mais pesada do que a equipe previa. O escalador quebrou a perna e foi lançado no telhado de uma casa. O operador ficou preso na cabine até cortarem a energia dos fios derrubados. No setor, a frase que resume o caso é: quando você corta, a peça é sua.
Quem estima o peso é o arborista responsável, não o dono nem o operador. Por isso as empresas de guindaste para árvore trabalham, na prática, com cerca de 50 por cento da capacidade. Na Virgínia, abaixo de 50 por cento é regra para içar arborista. Içar gente no gancho divide as normas: a norma americana ANSI Z133 permite; a OSHA do Oregon não aceita. O peso muda com a espécie: um metro de tora verde de carvalho-vermelho com 60 centímetros de diâmetro dá cerca de 300 quilos; de pinheiro-branco, cerca de 170. Quase 2 vezes. Para as espécies brasileiras, o peso verde não foi confirmado nesta pesquisa. E desmonte, como motosserra, se aprende com instrutor, prática e a capacitação da NR 12.
Para levar: Um. Se a árvore não cabe no chão, ela é desmontada, mesmo que tenha só 7 metros. Dois. Serra presa no corte de abate é tensão errada: pare, e ninguém mexe na corda tensionada com o escalador na linha da peça. Três. Estime o peso pela espécie e pelo volume, com margem; quando você corta, a peça é sua, e quem não confia na estimativa faz a peça menor.