Árvore presa
No Alasca, cortar a árvore de apoio jogou a árvore presa na rota de fuga do operador. Os seis nuncas e como se solta.
Estamos narrando o Manual do Arborista inteiro na voz do Daniel, da 3X3, e liberando por fases. Esta faixa ainda está sendo gravada.
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Técnicas de corte. Faixa 8 de 11: Árvore presa.
Alasca, agosto de 1991. Um operador de 47 anos trabalha num morro com 50 por cento de declive. Ele derruba um hemlock, que não chega ao chão: fica preso em outra árvore. Hemlock é o nome em inglês da espécie. Para resolver, decide cortar a árvore de apoio, a que está segurando a presa. A árvore de apoio cede, e as duas começam a vir juntas, na direção da rota de fuga dele.
Quando você corta a árvore de apoio, a queda das duas fica imprevisível. É para isso que a regra existe. No Alasca, a árvore presa caiu dentro da rota de fuga. Ele provavelmente tropeçou num buraco no caminho e foi atingido na cabeça e no ombro. Morreu. Não houve testemunhas. Duas lições do relatório: nunca cortar a árvore de apoio, e rota de fuga não é só direção, é caminho limpo e testado a pé antes do corte.
Árvore presa, pendurada em outra, é situação comum em derrubada. A OSHA, a agência americana de segurança do trabalho, chama de armadilha mortal e manda não trabalhar perto dela: deve ser empurrada ou puxada por máquina. A vontade de resolver logo é grande, ainda mais com a obra parada. Então, antes do como, o que nunca se faz?
São seis nuncas. Um, nunca derrube outra árvore em cima da presa, a chamada derrubada em dominó. Dois, nunca corte a árvore que a segura. Três, nunca suba nela: em nenhum momento um trabalhador pode subir, dizem a canadense WorkSafeNB e o guia irlandês de derrubada, o IFSG. Quatro, nunca ande nem trabalhe embaixo dela, nem na zona de perigo. Cinco, nunca corte toras do pé para fazê-la escorregar. Seis, nunca a deixe sem sinalização: se precisar sair, isole com fita.
E quando a empresa já tem a regra escrita? West Virginia, 1999. Uma árvore morta em pé, de 19 metros, fica presa em duas árvores. A política da empresa exige remoção mecânica. O operador, de 46 anos, joga outra árvore em cima; ela cai na direção errada e também fica presa. No dia seguinte, contra a ordem do dono, ele derruba uma árvore que toca a presa, trabalhando embaixo dela, e é atingido.
A lição do relatório é dupla: sinalize a árvore e remova com máquina antes de cortar na área, e a empresa precisa fazer cumprir o procedimento. A OSHA vai no mesmo sentido. Toda árvore de risco, incluindo árvore presa e árvore morta em pé, é derrubada ou removida por meio mecânico antes do início do trabalho. Se não for, é marcada, e ninguém trabalha a menos de duas alturas dela. A WorkSafeNB diz que ela deve ser posta no chão antes de você começar.
Não é só árvore inteira que fica presa. Oregon, dezembro de 2011: um operador de 41 anos, trabalhando sozinho, tenta derrubar uma árvore que tem um galho de amieiro de 10 metros e 28 centímetros preso nela. Os colegas tinham visto o galho duas horas antes. O parceiro estava de 120 a 150 metros dali. Ele foi encontrado embaixo do galho. Então, como se solta uma árvore presa?
Primeiro, avise a equipe sobre qualquer galho ou árvore presa, pare e chame ajuda. Depois, pela Husqvarna e pelo IFSG: se não estiver muito presa, gire-a com gancho ou cinta de giro; árvore pouco inclinada costuma rolar fácil. Ou alavanque com uma vara de 2 a 3 metros, no sentido do movimento. Ao rolar, fique fora da zona de perigo e solte a alavanca quando ela começar a cair. Se estiver muito presa, use trator, guincho ou outra máquina.
Nas muito inclinadas, há o rebaixamento em degraus: um corte de trás até cerca de metade do diâmetro e um corte da frente de 3 a 5 centímetros abaixo dele, também até a metade. Nunca fique no sentido do movimento nem embaixo do tronco. É corte sob tensão, e se aprende com instrutor, prática e a capacitação da NR 12. A Husqvarna resume: remover árvore presa é sempre perigoso, não há por que ter pressa, e não tenha medo de pedir ajuda.
Para levar: Um, árvore presa não se sobe, não se passa embaixo, não se corta a de apoio e não se joga outra em cima. Dois, sinalize, isole com fita e avise a equipe na hora. Três, gire, alavanque ou chame a máquina, sem pressa, e prevenir é melhor: caminho de queda limpo e rota de fuga testada a pé.